Canção para minha mãe
Mãe
nome que me deste
fazendo da troca
por vezes
meu papel inevitável
Mãe
A parte de mim
saída de ti
numa gestação
improvável
Mãe, tu és.
És minha filha, minha amiga
És mãe, minha sina
a gota de leite
no café da esquina
O sorriso pendente
na boca de tua menina.
Mãe
A fôrma da força
A forma da chuva
na nuvem que desenha o céu
Trovões enfeitando a voz
raios que contornam o véu
sobre a cabeça que sustenta os pés
Mãe, tu és
És minha filha, minha amiga
és mãe, minha sina
A gota de leite
no café da esquina
O sorriso insistente
na minha boca,
Tua menina.
**** Sim, sou Edipiana confessa.
domingo, setembro 28, 2003
Outra moça
Moça falante. Cafeínada.
Loira com auto-crítica, isso é bom.
(Alfinetada porque não veio pra me ver e ainda falou isso na minha cara).
Inteligente.
Bonita:
tem a beleza dos que vêem tudo
enxergam mais e dizem o que viram;
a que vieram.
Geminiana, é o que repetia
Não entendo de signo, mas se ser gêmeos é assim
É bom ter muitos gêmeos
por perto.
Só não digo que é "dois em um"
porque é magra demais
para ser duas.
(Massageada porque me fez sentir
menos peixe fora d'água)
(*** Quando vier numa Quarta-feira e tiver a noite livre e quiser ver aquele "moço da voz chata", como diz sua mãe, sabe onde me encontrar, será um prazer levá-la pra lá. Foi um prazer, moça.)
Show legal
Bom Show, músicas legais, Alice Ruiz manda bem nas "letras", Alzira Espíndola manda bem nas músicas e a Zélia na participação.
Faltou minha filhóta pra ver a Zélia (que ela tanto ama), conhecer a ex Sra Leminski, Alice Ruiz, a Alzira Espíndola e por tabela meu querido professor que estava lá, mas na platéia. Me reconheceu, deve ser porque eu sou a única com óculos vermelho-olhepramim da sala de LBIV.
Bem, as letras de Alice falam por si só, Itamar que não fala mais, pois já disse tudo, fala com ritmo e eu, cansada, sem dormir em casa há 3 dias, uso os ditos deles que são melhores do que eu nesse negócio de dizer:
Milágrimas
(Alice Ruiz e Itamar Assumpção)
em caso de dor ponha gelo
mude o corte de cabelo
mude como modelo
vá ao cinema dê um sorriso
ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
se amargo foi já ter sido
troque já esse vestido
troque o padrão do tecido
saia do sério deixe os critérios
siga todos os sentidos
faça fazer sentido
a cada mil lágrimas sai um milagre
caso de tristeza vire a mesa
coma só a sobremesa coma somente a cereja
jogue para cima faça cena
cante as rimas de um poema
sofra penas viva apenas
sendo só fissura ou loucura
quem sabe casando cura ninguém sabe o que procura
faça uma novena reze um terço
caia fora do contexto invente seu endereço
a cada mil lágrimas sai um milagre
mas se apesar de banal
chorar for inevitável sinta o gosto do sal do sal do sal
sinta o gosto do sal
gota a gota, uma a uma
duas três dez cem mil lágrimas
sinta o milagre
a cada mil lágrimas sai um milagre
Quer saber mais sobre Alzira, Alice e todos os artistas da MPB? Entra nesse site:MPBNet - conheci hoje, tanto o site quanto a moça que escreve, ambos muito legais. Vale conferir.
sexta-feira, setembro 26, 2003
Só entende quem menstrua- Parte IV
- Tá quietinha, o que foi?
- Nada...
- Já sei, TPM!
- Não...
- Cólica?
- Também não.
- Então o que foi?
- Nada, já disse...
- Mas você nunca foi quietinha, você sempre falou demais.
- E você não gostava...
- Só que você nunca ficou quietinha, mesmo eu não gostando. Tem outro na jogada, né?
- Que eu saiba não...
- Tá vendo, há uma possibilidade de haver outro!
- Eu não disse isso...
- Mas tem, não tem?
- Já disse que não.
- Então por que você está quietinha?
- Ah, você reclama que eu falo demais, aí eu paro de falar e você continua reclamando...
- Mulheres não conhecem um meio termo?
- Homens não sabem fazer outra coisa senão reclamar? Toda hora é uma coisa, eu não aguento mais! Ou é porque eu falo, ou é porque eu fico quieta, ou é por causa do meu cabelo, ou da minha saia. Sempre um motivo para falar alguma coisa, sempre um motivo pra reclamar. Se não é da minha TPM, é porque eu estou menstruada, se não é porque eu não quero sair, é porque eu quero sair. Que droga, o tempo inteiro falando alguma coisa...
- Hum... você não tinha decido a ficar quietinha?
quinta-feira, setembro 25, 2003
Bicha qué, bicha faz!
Bom, eu gosto de preto (opa, da cor "afro-brasileira", desculpa aí meu anjo). Enfim, eu gosto da cor, da pele, dos homens, já diria alguém que esqueci, na voz de Elis, "Black is beautiful".
Mas não quero ficar de luto por muito tempo e como o moço não se manifesta (isso não é uma cobrança), eu vou mudar essa coisa sozinha mesmo, porque já disse a personagem do filme "Amarelo Manga": Bicha qué, bicha faz!
Aceito sujestões de cores... pensei em azul (minha cor favorita), pensei em Amarelo Manga, pensei algumas cores...
Depois decido, não será para agora mesmo, vai ser para daqui umas semaninhas que eu tô cheia de textos para ler e não vou ter tempo para ficar brigando com códigos.
Além disso, tenho uns poemas felizes para escrever, porque é primavera e eu ando com vontade de ficar florida, eu ando com vontade de tirar o melancólico do meu Feliz! Eu quero ir para além do arco-íris conversar com meu sobrinho Ricardo, o guardião do pote de ouro e de muitos sorrisos meus. Eu estou com vontade de andar numa andança cega, silenciosa, sem pressa com trilha sonora de João Gilberto cantando "Chega de Saudade". "É isso aí, vai, minha tristeza... que eu não posso mais sofrer"
quarta-feira, setembro 24, 2003
Para Negro Anjo
"Que original! Apaixonada por um ator global..."
Perdi a porcaria do e-mail! Póxingá, eu deixo...
terça-feira, setembro 23, 2003
O Filho da Noiva
O Filme:
Um velhinho apaixonado por sua esposa mesmo após 44 anos de casado e ela estando doente. Tenta a todo custo realizar o sonho de sua esposa, casar-se na igreja, porque ela aceitou as suas convicções de ateu e só tinham se casado no civil. Seu amor é tão grande que promete amá-la mesmo depois do "até que a morte os separem".
( Segunda-Feira, 22 de Setembro - "O Filho da noiva" - filme argentino, única sessão às 18h20min, no Belas Artes-Rua da Consolação/SP)
Realidade que parece ficção
Um homem me deseja ser feliz no casamento como ele foi e continua sendo, mesmo depois de 36 anos ao lado de sua esposa. Disse não haver pessoa melhor no mundo que sua amada esposa e não a trocaria por nada nesse mundo, pois ela foi a melhor coisa que aconteceu na vida dele, nem ganhar na loteria sozinho seria tão bom.
(Sábado, 20 de Setembro - Cartório onde fui madrinha de casamento. O Sr me confundiu com a noiva e dirigiu-se a mim desejando-me tal felicidade)
Ao descobrirem que eu iria ao cinema, um casal de velhinhos me recomenda "O Filho da Noiva", pois seu neto os havia recomendado o filme, lembrando-se de seus avós ao assisti-lo e eles gostaram muito. Segundo ele, o filme até que lembrava um pouquinho sua história, mas sua Sra, graças a Deus, continuava lúcida e ciente de seu amor por ela, depois de 40 anos de casados.
(Segunda-feira, 22 de Setembro - Av Paulista/SP - ao sair de uma Fotoptica e encontrá-los indo ao cinema também).
Realidade real
Foi casada por 10 anos, duas filhas adolescentes, não quer nem ouvir falar no nome do marido que nem sequer vai visitar as filhas ou paga pensão.
(Quinta-feira, 18 de Setembro - ponto de ônibus da Francisco Morato/SP - Conversas típicas que se tem ao esperar o ônibus para voltar para casa)
Foi casada por dois anos até que descobriu que seu marido era gay ao pegá-lo numa casa noturna se atracando com um travesti.
(Não lembro a data -Bandeijão/USP - Conversa com uma amiga me contando sobre uma outra amiga sua)
Uma garota de 29 anos reclama ter deixado tudo para trás para se casar. Estava apaixonada e levada pela paixão, largou os estudos, foi contra os pais que não queriam seu casamento, e viveu ao lado de seu marido durante 7 anos e só durou esse tempo, porque ela não tinha para onde ir com a filha.
Hoje, não quer ver seu ex-marido e move uma ação na justiça para tentar faze-lo pagar pensão para filha que ele não vê há dois anos.
(Segunda-Feira, 22 de Setembro - lotação que me trazia para casa- uma mulher volta-se para mim e começa a contar sua história. Desabafos típicos dentro de ônibus)
Lembrei da frase do filme, em que o filho do casal ao ver seus pai todo apaixonado por sua mãe diz: "olhando para ele é como ver Fred Asteir, parece tão fácil..."
E se você quer se emocionar, vá assistir "O Filho da Noiva", mesmo que seja daqueles que acha que um filme que não "fala" inglês é coisa de intelectual, corre pro Belas Artes e assiste, vai ver que o filme é lindo, engraçado e apaixonante. Como eu mostrei aqui, não é nada fácil encontrar um amor como o filme relata, mas dá pra encontrar sim...
Ibest, o que é isso?
Não queridos leitores, não sou eu que estou concorrendo ao Ibest, é o site que hospeda meus comentários, por isso está cheio de logo do ibest aqui.
(E acho que se depender do meu amigo Frank, que vive reclamando que a porra dos comentários não funciona, o site não vai conseguir muitos votos não, pelo menos o dele é certeza que não.)
Digo isso, porque vai que alguém pensa que eu fiquei louca a ponto de inscrever esse blog na premiação, afinal, eu não tenho leitores suficientes, nem minha família é tão grande assim para que eu possa concorrer Isso é coisa pra BlogStar, não pra mim.
Aliás, votei no moço, mas não vou colocar propaganda porque o Ibest não tá me pagando nada pra ter tanto logo aqui, já basta o dos comentários!!!
segunda-feira, setembro 22, 2003
Grávida de felicidade
Esperei, como Jacó por Raquel
Esperamos, como a Bíblia para ser lida
Em uma espera vã por fiéis.
Esperamos como ateus convictos
a vinda e a volta de um cristo,
Absolvidos da culpa
de um dia acreditar na espera.
Esperamos para esperar
grávidos de felicidade
atropelados pela limosine
que aguardava a vida e
os sonhos, mas transportava
o caixão que conduz à morte.
domingo, setembro 21, 2003
Luto
Esse blog está de luto e continuará assim até que o Superid mude o layout, como havia me prometido.
Não, isso não é uma intimação para que o moço cumpra a promessa, o blog está de luto porque a menina que minha amiga esperava faleceu. Minha quase filha, quase afilhada, nasceu nessa última quinta-feira e morreu após alguns minutos de vida. Não resistiu. Só me avisaram hoje, dia em que ela completaria 6 meses. Esconderam de mim e eu, entretida com os preparativos do casamento de uma amiga, na qual eu ia ser madrinha, não pude ir ao Hospital e quando tentava ligar, ninguém atendia ou só dava caixa postal.
Ironia do destino, recebi a notícia quando estava lendo o blog: Grávido pela primeira vez, e tive a idéia de colocar a fotinho da minha menina, como faz o pai de primeira viagem, autor desse blog, e estava ansiosa para contar isso à minha amiga e mostrar esse blog para ela.
Triste.
Até tinha feito um poema pra ela, pois esperávamos que ela só nasceria hoje, quando minha amiga completaria 6 meses de gestação. Ela ia chegar junto com a primavera, certamente seria uma flor.
Vou rasgar a droga de poema.
Vai, cai!
Sou toda mais ou menos:
Transito entre dois pontos,
escolho um terceiro.
Ora quero um colo,
ora só meu travesseiro.
Srta Coisa disse: "parece Leminski" - eu fiquei pra lá de feliz, fiz um hai kai que alguém associou a Paulito!!!!! Felicidade, foi o que srta Coisa me deu ao dizer a frase e completar: "Leminski e você tem tudo a ver".
sábado, setembro 20, 2003
Convite
Falando em domingo e segunda, lembrei que quero ver Dom.
Alguém quer ir comigo nessa segunda-feira? Se quiser, me liga aí...
Definitivamente, não vou ao cinema domingo, muito menos nesse, tô morta!
Hoje fui madrinha de casamento e lembrei porque sempre disse: "Não vou em casamentos, nem no meu..."
Se a justiça enxergasse, todo domingo seria legal.
Ei, amanhã poderá ser um domingo legal, pois o programa do Gugu Liberato até o presente momento continua suspenso do ar, obtendo assim, alguma legalidade nas tardes ilegais do primeiro dia da semana.
Eu, odiadora ferrenha das tardes dominicais, mesmo sem me aproximar da caixa imediata produtora de imagens sem qualquer imaginação, creio que todos os programas, com exceção de alguns documentários exibidos pela TV cultura e, claro, a exibição dos jogos do campeonato brasileiro, deveriam ser suspensos do ar aos domingos, pois só assim a TV aberta não cometeria nenhum atentado contra a inteligência do telespectador e poderia não ser indiciada por atentado violento ao pudor, sem contar nas inúmeras ilegalidades cometidas pelos tais programas populares que violam sobretudo os direitos humanos, transformando ignorância em audiência, miséria humana em espetáculo.
Mas ainda que isso acontecesse, os domingos só seriam legais no sentido de cumprir leis, porque não consigo achar nada de bom nesse dia tão entediante.
Domingo é dia de prostrar-se diante da TV, de preferência com ela desligada, para poder ouvir aquela angústia inesperada após o exagero alimentar provocado pelo almoço caprichado das mamas de todas as famílias. Sair ao portão e seguir com o olhar aquele papel de bala guiado pelo vento por todas as retas e curvas da rua completamente deserta.
Domingo é dia de ligar para o amigo, ao findar a tarde, para tirar sarro da cara dele porque time para qual ele torce, perdeu; ou tirar o telefone do gancho para que ele não faça o mesmo, caso tenha sido o seu time o perdedor. É dia de namorar, para quem tem seu par, de sentir a mais completa solidão, para quem não tem ninguém.
Dia de ir à loca caçar, de ficar em casa e sonhar.
Domingo é dia de se suicidar, de morrer ao final da noite e levantar na segunda-feira, novinho em folha, de mau-humor, mas com a esperança de ter uma semana diferente, embora saiba que será igualzinha a todas as outras.
Sonhos e Delírios
Um belo dia ele me disse que transformaria meia hora de conversa comigo em uma boa história. Bom, se um dia eu deixar de ser um olhar coadjuvante das histórias alheias, já tenho a quem chamar para escrever a minha biografia.
Mas por enquanto, eu vou me aventurar a sonhar os sonhos alheios escritos por alguém que transforma delírios em boas histórias e me convenceu que conseguiria transformar o que eu digo em algo interessante para o leitor:
sexta-feira, setembro 19, 2003
Ei, isso é funk!
Foi o que eu disse para o Negro Anjo. Ele disse: "não, não deve ser..." - Logo respondi: "Olha, pelo menos cabe a palavra macho ali...".
Depois uma garota abriu a porta que separava o sofá da pista e a gente ouviu: "Elas estão descontroladas".
Que era Funkcarioca era, mas eu fiquei intrigada, pois não tem "macho" nessa música... Hoje, Pedrinho chega cantando:
"Não adianta de qualquer forma eu esculacho
Fama de putona só porque como seu macho"
Eu sabia que tinha ouvido a palavra macho lá no supperclub!
Tudo bem que só ouvi... pegar que é bom, NADA!