sábado, maio 31, 2003

Eu vou!!!!




(Quase todo ano eu vou...)


"Dejaste abandonada la ilusión
Que havia en mi corazón
por ti..."

Minha mãe, Solidão.

- Minha mãe, Solidão, posso tentar ser da companhia?
- Mas já és da companhia, minha filha, e por isso sou tua mãe.

Narcisos modernos

Centro velho de São Paulo. Lá estou eu, em frente à Catedral da Sé. Percebo a arquitetura, sinto a tristeza sombria da igreja e dos meninos correndo em volta.
Faria Lima. Lá estou eu, em frente àqueles prédios cheios de espelhos. Vejo minha imagem refletida. Arrumo meu cabelo e me percebo deformada, sem testa, apenas olhos enormes, sem boca e orelha. Sou só olhos para mim mesma.

Aurelião


Estava eu em uma livraria e um rapaz simples, recém chegado do interior, perguntou:
- Onde eu posso encontrar um "aurelião"?
A moça achou que ele pedia um dicionário Aurélio grande e trouxe pra ele.
Muito sem graça o rapaz disse:
-Não, eu estou falando daqueles telefones...





sexta-feira, maio 30, 2003

Paixão de Nice


Sinto em minhas mãos os pregos, em minha cabeça uma coroa de espinhos. Um gosto acre na boca, os pés não tocam mais o chão. As pessoas parecem gritar o tempo todo, dos meus olhos caem lágrimas e só posso dizer:

- Pai, por que me abandonaste?

Eu achava que não tinha mais ressaca! Que droga... e ainda de vinho barato. Ainda bem que hoje vou beber de novo...

quinta-feira, maio 29, 2003

Onde a dor não tem razão
( Paulinho da Viola)


Canto
Para dizer que no meu coração
Já não mais se agitam as ondas de uma paixão
Ele não é mais abrigo de amores perdidos
É um lago mais tranquilo
Onde a dor não tem razão
Nele a semente de um novo amor nasceu
Livre de todo rancor, em flor se abriu
Venho reabrir as janelas da vida
E cantar como jamais cantei
Esta felicidade ainda

Quem esperou, como eu, por um novo carinho
E viveu tão sozinho
Tem que agradecer
Quando consegue do peito tirar um espinho
É que a velha esperança
Já não pode morrer


(A música é do Elton Medeiros. )

Hoje eu morri, e daí?


Hoje eu morri ao ver seu olhar de indiferença. Morri ao sentir que o seu silêncio era fruto do desprezo. Morri quando atirou contra mim todo o seu descaso, demonstrando que toda a importância que dei era um erro mortal. Ao me desarmar você se armou até os dentes e atirou sem piedade em um coração que, se antes mal batia, agora, já não bate mais.
Sim, eu morri. Cheguei ao fim das esperanças, perdi os desejos, as vontades e todas as minhas representações. Não há mais significados para signo algum. Não consigo enxergar vida e apaixonar-me por ela.
Cansei de esperar e nunca alcançar, cansei de tentar entender que o meu amor é uma via de mão única.
Hoje conversei com a morte e ela respondeu-me que o melhor a fazer é decretar o velório dos meus sentidos. Não quero ver, ouvir, falar, tocar, cheirar, sentir gosto.

Não quero nada!

Só peço que ao sair, apague a luz, ainda tenho a minha photophobia. Apague a luz, deixe-me onde me encontrou: no escuro. No escuro, porque hoje eu morri, e daí?

Dois pra lá, doi pra cá.

Sinto um desejo absurdo de um dia dançar "Dois pra lá, dois pra cá", na voz da Elis, completamente bêbada de uísque com guaraná, de salto alto, num fim de festa, com um homem que me tire pra dançar muito tímidamente e conseguisse fazer meu coração bater mais que o bongô.
Tá, não precisa me tirar pra dançar timidamente e nem fazer meu coração bater mais forte, pode só me tirar pra dançar essa música...

Conversa Frustrante:

- Niti, você tem que se conformar com o fato de que se você casar, será com um cara chato e feio.
- Nossa, você acha que eu só mereço um homem assim?
- Não, você merece mais que isso, mas é que pra você casar tem que ser com um hetero e heteros são chatos e feios...

quarta-feira, maio 28, 2003

Para uma pessoa...

A TUA CARNE calma
Presente não tem ser.
Os meus desejos são cansaços.
Quem querem ter nos braços
É a idéia de te ter.

Resposta


Quando fiz a pergunta do post abaixo para uma pessoa ela retrucou dizendo: "e você, já desejou existir no silêncio de alguém"?

Respondi:

Sim, e o desejo foi tamanho que ousei acreditar que existia.

Silêncio

NÃO DIGAS nada!
Não, nem a verdade!
Há tanta suavidade
Em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada!
Deixa esquecer.

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda esta viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz...
Não digas nada.

(Fernando Pessoa)



E agora pergunto, caro leitor: Já desejou existir no silêncio de alguém?



domingo, maio 25, 2003

Tentativa poética.
Para Ricardo

Deslize seus sonhos
Encontrando minha mão
Guia-me em seu mundo tão simples,
Tão fácil e importante.
Ensina-me a fazer uma canção.

Que seja uma canção de amor
Do amor não convencional
Falando do belo e do banal
Com a mesma intensidade
Das surpesas que o destino
A cada dia vem propor.

Uma simples canção
Sem segredo ou mistério
Apenas uma declaração.
Entregue e devolvida
Enquanto o vejo indo embora
Pela escada do metrô.





(


Felicidade

Acho que até Terça-feira eu traduzo o meu primeiro texto Sanscrito-Português!!!
É uma fábula sobre uma mulher infiel.
Estou emocionada...

sábado, maio 24, 2003


Meu terno branco
Linho S 120
Foi cortado com requinte
Pelo meu alfaiate inglês
Camisa de seda pura
Pescoço desocupado
Bigode bem aparado
Um lado de cada vez
Pisante de duas cores
Mas feito sob encomenda
Pra que a oposição entenda
Que a maré pra mim tá boa
Não é à toa que uso esse chapéu quebrado
Pra defender o telhado
Da friagem da garoa
Chego assim mais esticado
Do que couro de cuica
Que a primeira impressão é que fica
E eu chego querendo ficar!
Não sou malandro porque
Malandro é de morte
Tô no mundo por esporte
Só quero o leite e o mel
Não sou malandro
Mas tenho meu santo forte
Sou um otário com sorte
Sou Zona Norte
Sou Vila Isabel.





Alegria! Era o que faltava em mim!!!
(E um monte de piadas internas)



Hoje estou felliz! Ontem estava bêbada e feliz!

Um brinde a mim que estou feliz... Um brinde ao Edy que está melancólico feliz! (Não é à toa que eu o viciei em Belle & Sebastian). Um brinde ao Sid que é feliz e não me acha mais sem noção, embora tenha tido provas concretas de que eu sou sem noção!
Um brinde ao Frank que se atrapalhou todo para fazer a "porra" para que eu lesse a "borra"! Um brinde ao banheiro masculino!
Um brinde ao salto alto! Um brinde à sentença do gostoso do Sid ou à sentença, do gostoso, do Sid ou seria, à sentença do Sid, do gostoso. Enfim...
Um brinde!

Pessoas.

Não vou falar de Fernando Pessoas, também não é sobre nenhuma de suas pessoas. Vou falar das gentes que me assustam e encantam. Da atração e repulsa em adentrar no mundo cotidiano. Nesse mundo normal dos seres que sem perceber fazem parte de uma engrenagem, de um sistema que engole tudo e massifica através de notícias de jornais tornando o sublime, banal.
Essa polifonia discursiva que recebemos diariamente e refratamos sem perceber, essa memória voluntária e seletiva. As multidões solitárias que andam diariamente nas ruas de São Paulo, sem notar a beleza e a poesia que as envolve, sem notar a tristeza que as segue e, indo além, sem notar suas próprias aflições, suas inquietações íntimas, suas experiências.
A solidão é cada vez mais aglomerada, é cada vez mais latente e, no entanto, cada vez menos explorada e entendida. Uma aglomeração de seres solitários que se entendem solitários, mas não entedem essa solidão, não pensam nela, apenas declaram que estão sós. Tal qual um alcoólatra que se diz alcoólatra, mas não pensa nas causas e enxerga seu alcoolismo como uma doença.
Quero falar sobre os passantes, os viúvos da esperança, os filhos de um mundo moderno que tenta explicar tudo para que não precisemos perguntar. Não temos tempo nem paciência para perguntas, não temos tempo nem paciência para deixar outros passarem conosco, necessitamos passar sozinhos porque o passo do outro vai atrapalhar. Filhos de um mundo que não tem tempo para pensar, refletir e, principalmente, um mundo cada dia mais individualista, mas não intimista. As massas já não são multidões, as massas são indivíduos igualmente solitários que se aglomeram e se separam na solidão povoada de seus lares.

A Uma Passante


(Charles Baudelaire - tradução Guilherme de Almeida )

A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;

Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.

Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?

Longe daquí! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!



Para Quem sabe francês:

A Une Passante
(Charles BAUDELAIRE (1821-1867) (Recueil : Les fleurs du mal).

La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d’une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l’ourlet;

Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l’ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.

Un éclair... puis la nuit! - Fugitive beauté
Dont le regard m’a fait soudainement renaitre,
Ne te verrai-je plus que dans l’éternité?

Ailleurs; bien loin d’ici! Trop tard!Jamais peut-être!
Car j’ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
O toi que j’eusse aimée, ô toi qui le savais!

sexta-feira, maio 23, 2003

Nada é à toa!

Não é à toa que esse blog é oferecido à ela!
O poema da Florblea Espanca deixado nos comentários pela Kilvia era justamente o que eu precisava ler! Não só eu, meu amigo Frank, pelo visto também!!!!
E se duas pessoas precisavam, acho que todos os leitores do blog precisam:

Eu não sou de ninguém!... Quem me quiser
Há-de ser luz do Sol em tardes quentes;
Nos olhos de água clara há-de trazer
As fúlgidas pupilas dos videntes!

Há-de ser seiva no botão repleto,
Voz no murmúrio do pequeno insecto,
Vento que enfurna as velas sobre os mastros!...

Há-de ser Outro e Outro num momento!
Força viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros!

quinta-feira, maio 22, 2003

Sensação de Mesma Coisa

Há momentos em que tudo parece igual. Não estou falando do nosso cotidiano, dessas coisas que fazemos por inércia, como acordar sempre no mesmo horário, escovar os dentes, ir para os lugares que somos obrigados a ir todos os dias. Não é isso, falo da sensação que nos domina durante um tempo. O tédio de voltar para casa e mesmo que as pessoas não façam as mesmas coisas ou não estejam nos mesmos lugares, você as vê nos mesmos lugares, fazendo as mesmas coisas. Ou ir a uma balada e mesmo que esteja com uma galera diferente, ouve os mesmos papos, ainda que não sejam ditos da mesma forma.
Falo da sensação de estar vivendo sempre a mesma história, mesmo que os personagens e os atores mudem.
É por essa sensação de mesma coisa que estou sem vontade de escrever. Sinto que meus textos vão ficando também a mesma coisa.
Acho que preciso ser arrebatada por uma beleza* que me envolva e me faça olhar as mesmas coisas de forma diferente.

*Utilizo a palavra beleza não no sentido "padrão-estético- passarelas", utilizo-a num sentido mais amplo, embora restrito, ou seja, algo que seja belo ao meu olhar.

Poema

Há tanto tempo não escrevo poesia. O último que fiz foi esse:

Essas palavras que ecoam
Na mudez da madrugada,
Ferindo minha mente
Ensurdecida,
Chegam aos meus dedos
Sufocando meus desejos
Para, então,
serem traduzidas
Em doces atos,
Versos gentis
Que um dia fiz
Pra outros:
Anônimos que fizeram parte
De alguém que não sou eu,
Embora pareça ser.
E a mim restaram as cinzas
As horas,
A noite.
A eles,
Os versos que me deram,
A solidão que me entregaram
A tristeza que a todo momento
Me devolvem.

quarta-feira, maio 21, 2003

Frank, eu tô aqui!
Minha Vassoura não gostou do estacionamento do outro endereço!

EU SOU CRIANÇA E NÃO CONHEÇO A VERDADE,
EU SOU POETA E NÃO APRENDI A AMAR!
"QUEM SABE EU AINDA TENHO UMA PONTINHA..."


(O final é de uma versão feita por amigas minhas)

domingo, maio 18, 2003

Amor e Dor

Li aqui, um post sobre um poema que rimava amor e dor. O autor do blog disse não conseguir achar bonito poemas que rimam Amor com Dor.
Não tem nada a ver com post que ele escreveu, o que vou escrever agora, mas é que ter lido isso me lembrou de uma frase do meu amigo Jovany, também poeta, em que ele diz: "Amor sempre vem seguido de uma rima pobre e cruel". Aprendi com ele essa frase, gosto e concordo com ela, contudo, acho que a dor fica mais pobre ainda se não for por Amor.
Fiz um poema, há meses atrás, em que eu falava de dor e não rimei com nada. Não tinha amor no poema e, embora muitas pessoas o tenham achado bonito eu achei que faltava alguma coisa. Talvez faltasse essa rima, não no poema, mas na minha vida.
Eu já fui ridícula e escrevi cartas de amor, uma poeta adolescente que rimava esses dois substantivos abstratos. Eu era feliz sendo ridícula e cultuando a rima pobre do Amor.
Hoje, tenho em minha porta, apenas um poema que não fala de amor, não fala de dor, e eu a tranco, para que o poema fique ali, exposto, e todos que tentem entrar no meu quarto sejam avisados da minha "Parada Cardíaca".

Parada Cardíaca

Essa minha secura
Essa falta de sentimento
Não tem ninguém que segure
Vem de dentro

Vem da zona escura
Donde vem o que sinto
Sinto muito
Sentir é muito lento

(Leminski)

Mas a janela, às vezes, eu esqueço aberta.



Comentários

Eu não ia colocar sistema de comentários aqui. Não é nem por não querer saber a opinião dos meus leitores, eu até gosto muito de ler os comentários que as pessoas deixam em blogs. Eu não queria colocar, para evitar a frustração de não haver comentários, afinal, meu blog é visitado por amigos, tem um número pequeno de visistas, e os que chegam aqui por acaso é porque procuravam um jogo de dama na net. Aliás, quem me fez voltar a escrever no blog, foi uma dessas pessoas que procurava um jogo de dama, achou o jogo da dama e gostou. (Agora o blog é ofercido à ela, taí do lado).
Contudo, uma amiga minha, a Carol, disse que iria se afastar da net por um tempo, não teríamos contato a não ser pelo blog que ela iria continuar lendo. Então, disse que deixaria comentários aqui para me dar notícias. Por isso os coloquei.

Acho que esse post é uma forma de me convencer a não ficar frustrada pela ausência de comentários, mas tudo bem...




sábado, maio 17, 2003



EDY, VEM PRA CÁ!
EU TÔ SOFRENDO DE FOME!!!!!

Surpresa Lunar

A quinta-feira começou mal. Ou melhor, amanheceu mal, porque quando iniciou, o meu amigo Rô estava on-line e eu pude ser a primeira a dar Parabéns pra ele e mostrar o post que havia escrito em sua homenagem. Porém, o dia amanheceu e tudo que eu havia planejado foi dando errado. Queria ir ao cinema, andar pela Av. Paulista, passar na casa de uma amiga que está morando no Paraíso e depois ir à faculdade. Contudo, não deu tempo de ir ao cinema, a nuvem negra ameaçou a chover e meus planos foram por água abaixo...
Restou-me, então, ir à faculdade. Ao meu lado, a lua linda e a vontade de recitar Garcia Lorca. No caminho, a torcida do São Paulo espalhada pelos pontos de ônibus e o pensamento inevitável: "Ih! Tô perdida, hoje tem jogo no Morumbi e vai ser difícil voltar pra casa".
Realmente os astros não queriam me ajudar naquele dia.
A quinta-feira estava indo embora e as coisas piorando, a lua continuava lá, brilhando e me dizendo que algo iria mudar. Então, veio a esperança: conseguir uma carona, assim não passaria pelo estádio do Morumbi pra voltar pra casa. Fiquei esperando e meu amigo não apareceu, o medo aumentou quando um amigo sãopaulino, que ouvia o jogo, disse-me: São Paulo está perdendo.
Legal! O jogo acabando, São Paulo perdendo e eu passando em frente ao estádio no final do jogo. A essa hora, mesmo a lua brilhando, eu não sabia o que pensar, nem o que pedir: São Paulo virar o jogo? De que adiantaria, torcida exaltada do mesmo jeito... Meu amigo aparecer? Todos já tinham ido embora da faculdade. Só um milagre...
Eu estava esperando o amigo da carona com um outro amigo meu que esperava uma outra amiga nossa. Ela saiu e veio a salvação:- Não tem carona? Dorme aí no seu "marido". Pegou o telefone, ligou pra ele avisando, ligou para minha mãe tranqüilizando-a e fomos andando pela faculdade acompanhados pela lua mais linda do mundo.
Mas a lua não contentou-se em me acompanhar, queria fazer-me uma surpresa. Era dia de eclipse! Fomos à praça do relógio, deitamos na grama e presenciamos um lindo Show da minha amiga e de seus companheiros no céu. Enquanto a sombra da Terra passava na sua frente, o céu ficava mais escuro e as estrelas se mostravam mais. Vênus, enorme, pegou emprestado o brilho do sol e brilhava intensamente. Uma nuvem, em formato de mulher com os cabelos ao vento, abaixava a cabeça para não passar em frente à lua.
Aqui na Terra, acompanhamos com vinho, risadas, pedidos e sonhos. Só faltou Lorca, porque eu esqueci o poema, mas não tem importância, cantei algumas musiquinhas do Chico ao lado de um amigo, recitei alguns versos do "Soneto de Orpheu" do Vinícius e uivei em agradecimento por um final de noite tão agradável, depois de um dia tão difícil.
Não poderia ter tido uma quinta-feira melhor.

quinta-feira, maio 15, 2003

Aniversário

Hoje é o aniversário de uma pessoa que eu gosto muito. Talvez eu não demonstre muito, não sei demonstrar sentimentos direito.
Lembro-me do dia em que nos conhecemos: aula de IELP, ele "roubou" a minha carteira predileta! A melhor carteira para dormir.
Conversamos e descobrimos que fazíamos duas faculdades também. Eu o perguntei: qual? Ele respondeu: Publicidade. Eu, como estudante de jornalismo joguei o veneno: Ah, é marketeiro! Sei que o moço não gostou muito, mas não deixou barato e já foi me chamando de "jornalistinha de revista de fofoca". Ficamos amigos, o considero uma pessoa muito especial, apesar de termos nos distanciado um pouco, do segundo ano em diante. Nos distanciamos por não nos vermos mais com a mesma freqüência, mas faço qüestão de vê-lo sempre que posso e nunca esqueço o seu aniversário, embora ele sempre ligue uma semana depois ou antes do meu, nunca no dia!

Rô, um lindo aniversário!

Piada interna:

Não se deixe levar pelas más influências!!!

Recado básico:

Estou fazendo o possível para ir ao Show no sábado!

quarta-feira, maio 14, 2003

teste

Só Entende Quem Menstrua!

Ser mulher é complicado, já dizia Rita Lee "mulher é bicho esquisito, todo mês sangra". Tem também aquelas piadinhas machistas que dizem: "como conifar em um bhico que sangra 5 dias e não morre". O fato é que a menstruação, o período fértil, a TPM, enfim, os hormônios ditam as regras e nós não consiguimos controlar.
De repente, você se pega chorando ao lavar louça e no mesmo momento fica irritada com seu cachorro, só porque ele quer brincar. Sai com seu namorado e vem aquela típica conversa:
-Você olhou pra ela, não olhou?
-Olhou pra quem?
- Ah, praquela garota ali.
-Que garota?
Você aponta a garota e ele não consegue deixar de fazer a cara que todos nós conhecemos quando um homem acha uma mulher gostosa.
-Tá vendo! Eu falei! Você gostou dela!
O coitado, talvez, nem tinha olhado pra garota mesmo, só quando foi literalmente obrigado a olhar, mas a simples expressão natural masculina a magoa de uma forma absurda.
Outra situação típica de TPM é quando está se sentindo o pior ser da face da terra e tenta tirar a prova com ele:
-Eu te chateio, pode falar.
-Não, não chateia.
-Chateio sim. Eu sei que sou irritante.
-Não, meu amor, você é muito legal.
-Você está falando isso pra me agradar.
Insiste tanto que é chata que ele acaba concordando para não contrariar.
-Tá, ás vezes você é bem chata sim.
-Às vezes quando?
O tom de voz nessa hora muda, já fica um pouco mais agressivo. Você continua insistindo tanto que ele surta:
-Porra! Você é chata sim, um saco! Que droga!
- Tá vendo, eu falei! Eu disse.
Sai chorando e o deixa sem entender nada.
A parte que eles menos entendem é o desejo sexual. Tem dias que você está toda acesa, nem o deixa respirar direito, já vai agarrando. Outros, você não suporta que ele a toque. É um dilema conciliar.
Tive um namorado que arrumou a solução perfeita, ele simplesmente me ignorava. Eu terminava com ele uma vez por mês. Era algo impressionante. Todos os meses, no mesmo período, rompíamos o namoro. Eu dizia várias coisas idiotas, chorava, citava acontecimentos passados que ele nem havia presenciado. Quando eu terminava, ele dizia: " Ok, a gente termina". No dia seguinte, ia me buscar no trabalho como se nada tivesse acontecido e ríamos do que havia acontecido.
Às vezes acho que ele também menstruava.

domingo, maio 11, 2003

Liberdade Condicional



Há alguns meses atrás, um raio caiu na minha casa. Eu estava dormindo quando ouvi o barulho e achei que fosse mais um dos meus pesadelos, por isso continuei dormindo. Logo que acordei, descobri que o telefone estava mudo, o computador não ligava, o vídeo havia queimado e a imagem da televisão só tinha duas cores: verde e roxo. Nesse momento pensei que era só o que me faltava, pois tudo já havia acontecido comigo, desde meus pais ficarem doentes na mesma época até minha melhor amiga perder, pela segunda vez, o bebê que há sete anos esperamos juntas. Mas depois resolvi ver o lado bom, afinal, se eu estivesse andando na rua naquele momento, com a sorte que eu estava tendo, provavelmente o raio teria caído na minha cabeça. Contudo, lembrei que com a sorte que eu estava tendo, o lado bom seria o raio ter caído na minha cabeça e tentei ver por um outro ângulo, aquele do ditado em que dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.
Apesar do raio, a tempestade não tinha chegado ao fim, ela continuou por alguns meses ainda e agora há uma nuvem negra que às vezes faz garoar, outras só ameaça chover.
Não chegou ao fim, mas é hora de arrumar a casa. E tenho feito isso todos os dias: Faço almoço (3 tipos de comida diferente, pois cada um come uma coisa aqui nessa casa.), arrumo as coisas, faço supermercado, faço feira e LAVO ROUPA! Descobri que eu adoro ESTENDER ROUPA! Durante essa atividade, sinto o vento batendo no meu rosto, sinto o sol, quando consigo estender de dia, vejo a lua e o pouco de estrelas que o céu de São Paulo me permite ver, quando as estendo à noite, e, principalmente, penso em como os dias que passaram foram difíceis e em como a solidão foi implacável. Penso no sentimento de impotência por não poder fazer nada além do que eu estava fazendo, na tristeza de não ter ninguém por perto com quem pudesse desabafar, nos 12 kgs que emagreci, na quantidade imensa de maços de cigarros fumados, no tempo em que vivi afastando e mandando embora as pessoas que tentatavam fazer parte da minha vida, em como algumas pessoas que faziam parte da minha vida me descartaram no momento em que mais precisei e outras com que não convivia me surpreenderam com tamanho carinho, e também, como foi e, de certa forma, ainda está sendo duro, acordar de manhã.
Tudo começou no mês de outubro e eu havia escrito que durante a minha vida eu passei grávida de felicidade e, naquele momento, eu sentia que o aborto seria inevitável. Foi inevitável e pior do que eu pensava, foi mais que um aborto, foi a perda total da liberade e do resto da esperança, foi uma condenação.
Contudo, quando estendo a roupa, olho para o céu e penso que mesmo sendo duro acordar de manhã, sinto-me em liberdade condicional. Talvez a minha pena chegue ao fim, talvez alguém venha me salvar, ou eu consiga pedir revisão do processo e sei lá quem foi o juiz que me condenou, acabe percebendo que sou inocente.
Uma certeza eu tenho: ESTENDER ROUPA É ÓTIMO, MAS TIRAR A ROUPA DO VARAL É MUITO CHATO, ESPECIALMENTE QUANDO COMEÇA A GAROAR E ELAS AINDA ESTÃO MOLHADAS!

sábado, maio 10, 2003

Save me



Estava lavando louça e ouvindo a trilha sonora do filme "Magnólia". Poxa, esse filme é tão maravilhoso. Tudo é perfeito, até o Tom Cruise estava bem.

Então, começou a tocar "Save me" e influenciada pela minha TPM, comecei a chorar.

Save me
You look like a perfect fit
For a girl in need of a tourniquet
But can you save me
Come on and save me
If you could save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone
'Cause I can tell
You know what it's like
The long farewell of the hunger strike
But can you save me
Come on and save me
If you could save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone
You struck me dumb like radium
Like Peter Pan or Superman
You will come to save me
C'mon and save me
If you could save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone
'Cept the freaks
Who suspect they could never love anyone
But the freaks
Who suspect they could never love anyone
C'mon and save me
Why don't you save me
If you could save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone
Except the freaks
Who suspect they could never love anyone
Except the freaks who could never love anyone











Caso de amor complicado.

Estou vivendo um caso de amor complicado com Baudelaire. Há momentos em que ele deixa de ser aquele jovem boêmio e solitário que me encantou logo que nos conhecemos. Ir ao seu encontro, às vezes, é mera obrigação. Contudo, quando ele percebe a minha insatisfação, começa a mostrar-me a beleza das coisas mais banais, confessa todo o seu desencanto com o mundo e me seduz de forma magistral ao mostrar-me seu lirismo na mais completa solidão. Porém, quando começo a me envolver demais, lembro-me que o trato inicial era o distanciamento total e me afasto para não perdê-lo totalmente. Contudo, seu poder de sedução torna-se cada dia maior e eu novamente me envolvo, entrego-me em suas mãos para que me guie através de sua prosa poética, de seus sonetos e quando estou prestes a enlouquecer de paixão, volta a ser uma obrigação encontrá-lo.

E assim, o meu trabalho de Teoria Literária vai se tornando quase impossível de ser feito!

Mulher de Fases:

Com os problemas pessoais vividos desde o final de Outubro do ano passado, veio a falta de contato com as pessoas e desde Novembro do ano passado eu não me relaciono com ninguém. Sim, nem uns beijinhos... Então, percebi que passei por várias fases:

1º Fase - Abstinência:

No primeiro e segundo mês você fica olhando todos os rapazes e os achando mais bonitos, interessantes, inteligentes. Um simples abraço no cara mais gato da faculdade ou do trabalho já te deixa meio tonta.
O ápice da abstinência é quando você se tranca no quarto porque está tão a perigo que tem medo de passar em frente a obra, peão gritar: "Gostosa!" e você gritar: "Vem aí!". E quando vc percebe que pensou nisso, você entra na segunda fase.

2º Fase- Carência.

Você quer um homem só seu. Mesmo que seja por uma semana, mas que seja só seu para te paparicar, te dar carinho, fazer cafuné... Sente-se tão só que chora à toa e pede para sua mãe, seu irmão, seu pai te abraçarem quase todo o momento. E o ápice da carência chega quando você se tranca no quarto e fica assistindo filmes como "Alta Fidelidade", "O Diário de Bridget Jones", "Último Tango em Paris" seguidas vezes e começa a fazer um diário igualzinho à Bridget, elege pessoas que passaram por sua vida como os "5 MAIS" e sonha com alguém correndo atrás de você em dia de chuva, gritando "Eu te Amo". E quando se dá conta disso, você entra na terceira fase.

3º Fase - Baixa auto-estima.

Você começa a se sentir feia, sem graça, desinteressante, insuportável, chata, irritante, enfim, o pior ser da face da Terra. Mesmo que seu amigo gay diga que você é linda, maravilhosa e que se fosse hetero a namoraria, você não acredita. Corta o cabelo, começa a se maquiar, mas nem assim você melhora. Mesmo que "passe um batom e vá à luta", sente-se mal consigo mesma e nem percebe se há alguém olhando para você. E o ápice da baixa auto-estima é quando você se tranca no quarto porque tem medo até de passar em frente a obra e ninguém gritar NADA!
Quando vc se sente ridícula demais para qualquer coisa, você entra na quarta fase.

4º Fase- Assexuada.

Você desencana. Simplesmente não liga mais pra nada. Nem aquele garoto, que você estava há meses com vontade de dar uns beijinhos, dando em cima de você te anima. Se for inverno, nem depila a perna, não vai mostrá-la pra ninguém mesmo. Não tem a menor vontade de sair à "caça" e se sai de casa é para beber com os amigos de sempre. Não quer mais nada, não lembra de nada, troca "A BALADA" pra ficar em casa comendo pipoca ao lado da sua mãe e assistindo "Os Normais" e não vê problema algum nisso.


Coisa de maluco? Não... SÓ ENTENDE QUEM MENSTRUA!!!




quarta-feira, maio 07, 2003

O Amor é cego, surdo, mudo e velho!

Na semana santa, meu cachorro, Al Pacino, foi namorar. Muito educado, gentil, preferiu conhecer melhor a cadelinha com quem iria ter a sua primeira vez. Não quis chegar "junto" logo de cara. Passearam, brincaram, conversaram. Um namoro à moda antiga, sem clima, nada à meia luz, tudo às claras e de forma muito respeitadora. Embora, mais experiente que Al Pacino, a cadelinha manteve-se discreta e não deu investidas, aceitou a côrte, mas sem dar muitas esperanças ao jovem cachorro. (Modéstia à parte, um lindo e jovem cachorrinho.)
Nesse sábado, sentindo a tristeza de Al Pacino, resolvemos levá-lo para visitar sua amada. Chegando lá, a decepção foi imediata. Lilica estava com outro. Não deu a menor bola para o pobre Al Pacino que, nem havia completado um ano, já tinha sua primeira desilusão amorosa.
Ela havia preferido o cachorro que morava ao lado, um Sr de idade que já havia perdido a audição, a visão e o latido. Sim, ela preferiu um vira-lata cego, surdo, mudo e velho.
Eu, embora revoltadíssima pela tristeza do meu bichinho adorado, entendo a cadela. O amor é assim, é cego, surdo, mudo e VELHO! Pelo menos, para o Al, há como dizer que ele vai encontrar uma cadela que o mereça, pois já estamos providenciando uma nova namorada que queira ter horas agradáveis ao lado do meu bebê. Contudo, para nós seres-humanos, é impossível dizer que iremos encontrar alguém assim, tão imediatamente. É necessário que consigamos ficar cegos, surdos, mudos e, principalmente, abertos para que, em um momento de insanidade, alguém queira cegar, emudecer, ensurdecer e envelhecer ao nosso lado.

Bom, acho tudo isso de ficar arrumando, colocando links, inventando coisas muito chato.
Mas receber um e-mail de alguém que você nunca viu dizendo que gostou do que você escreve, vale à pena o sacrifício.

domingo, maio 04, 2003

Teste

FAKE PLASTIC TREES

her green plastic wateringcan
for her fake chinese rubberplant
in the fake plastic earth
that she bought from a rubber man
in a town full of rubber plans
to get rid of itself
it wears her out
it wears her out
it wears her out
it wears her out
she lives with a broken man
a cracked polystyrene man
who just crumbles and burns
he used to do surgery for girls in the eighties
but gravity always wins
and it wears him out
and it wears him out
and it wears him out


she looks like the real thing
she tastes like the real thing
my fake plastic love
but i can't help the feeling
i could blow through the ceiling
if i just turn and run
and it wears me out
it wears me out
and it wears me out
if i could be who you wanted
if i could be who you wanted all the time

Uma pessoa me mandou um e-mail e me disse que uma dama jamais poderia ficar desatualizada.
Bom, estou de volta...